segunda-feira, 3 de março de 2008

Felicidade e Aprendizado.

Antes de mais nada, uma discussão que sempre aparece em tradições filosóficas, religiões e tudo que envolva ética das pessoas é sobre o "caminho certo" a ser tomado. O que é correto fazer, o que é correto sentir... Tudo que fazemos gira em torno de um único propósito: ser feliz. A tristeza é ruim, a felicidade é boa, e não há o que possa contestar isso. O sentimento de tristeza é uma dor que os poetas tentavam sempre descrever como algo pior que a morte física. Todas as asperezas, inconfiança, discussões, brigas giram em torno do medo de ficar triste. Aqueles que provocam discórdia pelo domínio físico ou mental tem medo de ficarem tristes se achando impotente ou incapaz de algo. Há os que usam as pessoas para os fazerem felizes como forma de prevenção, ou seja, com medo de que sejam usados pelas pessoas. Há também aqueles que passam por cima de tudo e todos em busca de um número cada vez maior de bens materiais com medo de perder a imagem frente aos amigos, tendo medo assim de não serem mais queridos; ou aqueles que deixam suas vontades e gostos serem anulados por amigos, namorado ou família com medo de que, quando agirem, essas pessoas fiquem tristes também. Existem, obviamente, aqueles que não tem noção dessa condição. Para eles, é muito mais cômodo ter o Universo como seu inimigo a tê-lo como amigo. Como mudar essa situação?

Há um ditado popular que diz que o aprendizado pode acontecer somente de duas formas: pelo amor ou pela dor. Na primeira, aprendemos a passar por qualquer dificuldade seja por estudo, prevenção, por conselho, whatever. É o aprendizado adquirido com a família ou em escolas, aquele mais falado e instruído que sentido. Enfrentar dificuldades baseados somente nesse tipo de aprendizado nos fará passar por elas de uma forma mais "correta", mas muitas vezes acontece de não termos certeza de ser a atitude correta ou mais favorável a ser seguida. Nesse caso, a segunda forma de aprendizado aparece. Um bom exemplo disso é a história do garoto que quer colocar o dedo em uma tomada. Mesmo que lhe falem que isso machuca, a curiosidade é tanta que acaba por fazer o teste. Dói, portanto, ele passa a ligar "dedo na tomada" a "dor" como que por instinto. Essa forma é a mais eficiente de todas as formas de aprendizado, apesar de não muito agradável. Costumo falar a amigos que o sofrimento é a melhor coisa que podemos ter na vida. Isso afirma a idéia de evolução comentada no outro post. Pode ter parecido que somos livres para escolher também o "caminho errado", involuindo (neologismo?) dessa forma. Quando não temos uma instrução, temos a probabilidade de cometer um erro. Acontece que, quando tomamos uma decisão que acarreta em algo desagradável, passamos a ligar a tristeza àquela decisão. A não ser que existam pessoas que gostem de tristeza, essas escolhas não são mais tomadas.